POLÊMICA EM JANDAIA – EM 20 SEGUNDOS: Câmara aprova aumento de até 73% para políticos, enquanto trabalhadores seguem sem reajustes semelhantes

POLÊMICA EM JANDAIA – EM 20 SEGUNDOS: Câmara aprova aumento de até 73% para políticos, enquanto trabalhadores seguem sem reajustes semelhantes

A poucos dias do recesso parlamentar, a Câmara Municipal de Jandaia do Sul aprovou em pouco mais de 20 segundos um projeto que garante um aumento expressivo nos salários do prefeito, vice-prefeito, diretores municipais e vereadores para o mandato de 2029 a 2032.

A Lei Municipal nº 3.873, sancionada em 3 de julho pelo prefeito Benedito José Pupio, que também será beneficiado pela medida caso ocupe o cargo no período, já desperta questionamentos sobre a prioridade dada ao reajuste dos agentes políticos em comparação à realidade enfrentada pela maioria dos trabalhadores.

O caso que mais chama atenção é o dos vereadores. Atualmente, o salário-base é de R$ 4.562,75. Pela nova lei, o subsídio passará para R$ 7.900, um aumento nominal de aproximadamente 73%.

Já o salário do prefeito, hoje em torno de R$ 18 mil, foi fixado em R$ 30 mil, um reajuste superior a 66%. O vice-prefeito receberá R$ 10 mil, enquanto os diretores municipais terão remuneração de R$ 7.900.

O contraste chama atenção quando comparado à realidade da maioria da população. Enquanto servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada normalmente enfrentam reajustes anuais limitados à inflação ou pequenos ganhos reais, os futuros ocupantes dos cargos políticos terão um aumento muito acima desses índices.

Outro ponto que pode gerar questionamentos é a velocidade da aprovação. A proposta foi votada e aprovada em pouco mais de 20 segundos, sem amplo debate público durante a sessão, apesar do impacto financeiro que poderá representar aos cofres municipais.

O projeto é de autoria dos vereadores Adriana da Cruz Jaime Silva (presidente da Câmara), Alexandre Costa, André Rogério Barqueiro, Antonio Tadeu Rocco, Donizeti de Oliveira, Fabiano Goularte Marafon, José Marcos da Silva e Michel de Azevedo Ferreira.

Além disso, levantamento da reportagem do Blog do Berimbau aponta que os gastos com diárias na Câmara também têm chamado atenção, incluindo viagens para Foz do Iguaçu e visitas a gabinetes de deputados em Curitiba, despesas custeadas com recursos públicos.

A aprovação reacende uma discussão frequente em diversos municípios brasileiros: é razoável conceder aumentos tão expressivos para agentes políticos enquanto a maior parte da população convive com reajustes salariais muito menores e enfrenta dificuldades econômicas?

Agora, embora os novos valores só passem a valer na legislatura de 2029 a 2032, a decisão já provoca debate sobre responsabilidade com o dinheiro público, transparência e a sintonia entre os representantes políticos e a realidade financeira da população.