Deltan segue candidato, mas sem poder fazer campanha; decisão final está nas mãos do TSE

Deltan segue candidato, mas sem poder fazer campanha; decisão final está nas mãos do TSE

TSE ainda não marcou data para julgamento definitivo; nome de Dallagnol permanece na disputa, enquanto atos de campanha continuam suspensos.

A situação da candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado pelo Paraná continua indefinida a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026.

Até este sábado, 26 de setembro, não há uma data oficialmente anunciada para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgar definitivamente o recurso que questiona o registro da candidatura de Dallagnol.

O TRE do Paraná manteve o registro do candidato nesta semana. Com isso, terminou a análise do caso na Corte paranaense e a decisão final sobre a controvérsia jurídica passa agora pelo TSE.

MAS DELTAN ESTÁ OU NÃO ESTÁ FORA DA ELEIÇÃO?

Por enquanto, não. É justamente aí que muita gente está se confundindo.

Deltan continua com o registro deferido pelo TRE-PR, mas está impedido de fazer campanha enquanto o TSE não julgar definitivamente o recurso contra sua candidatura.

A suspensão foi determinada inicialmente pelo ministro Floriano de Azevedo Marques e posteriormente confirmada pelo plenário virtual do TSE por 5 votos a 2.

Na prática, enquanto a medida estiver valendo, Dallagnol não pode participar normalmente de atos de campanha, debates ou propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Também está impedido de receber ou utilizar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

E O NOME DELE NA URNA?

Esse é outro ponto importante.

Apesar da suspensão da campanha, Deltan continua candidato neste momento e seu nome permanece na urna, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

Ou seja: o eleitor poderá encontrar o nome do candidato e votar nele.

A grande questão é outra: se esses votos serão considerados válidos para a definição do resultado dependerá da decisão final sobre o registro da candidatura.

POR QUE A CANDIDATURA ESTÁ SENDO QUESTIONADA?

A discussão vem da eleição de 2022.

Em 2023, o TSE cassou o registro de Dallagnol como deputado federal ao entender que sua saída do Ministério Público Federal ocorreu quando existiam procedimentos administrativos pendentes e configurou tentativa de evitar os efeitos da Lei da Ficha Limpa.

Na eleição de 2026, porém, o TRE-PR entendeu, por maioria, que fatos posteriores — entre eles o encerramento dos procedimentos administrativos — alteraram a situação jurídica e permitiram o registro da candidatura ao Senado.

Essa interpretação está sendo contestada no TSE.

O QUE PODE ACONTECER AGORA?

Basicamente existem alguns cenários.

Se o TSE mantiver o registro: Deltan permanece regularmente na disputa e os votos recebidos poderão ser considerados normalmente, observadas as decisões judiciais aplicáveis ao processo.

Se o TSE negar definitivamente o registro antes da diplomação: mesmo que tenha votação suficiente para uma das vagas ao Senado, ele não poderá ser diplomado.

E se o julgamento ocorrer somente depois da eleição?

A situação fica mais complicada.

Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que, se Dallagnol obtiver votos suficientes para ser eleito e posteriormente tiver o registro definitivamente negado, poderá surgir a necessidade de nova eleição para a vaga ao Senado, dependendo do momento e dos efeitos da decisão judicial. A vaga não seria simplesmente entregue automaticamente ao candidato seguinte.

O próprio TSE explica que processos envolvendo votos de candidatos com situação jurídica pendente tramitam em regime de urgência e que candidatos com registro indeferido não podem ser diplomados, mesmo quando ainda estejam recorrendo.

QUANDO O TSE VAI JULGAR?

Essa é a pergunta que permanece sem resposta.

Até 26 de setembro, não existe data oficial divulgada para o julgamento definitivo do recurso de Deltan Dallagnol.

O TSE foi procurado pelo UOL e não informou previsão para analisar o caso. Segundo a reportagem, especialistas apontam que existe preocupação da Justiça Eleitoral em resolver processos envolvendo cargos majoritários antes da votação, mas isso não significa que o caso de Dallagnol tenha julgamento garantido antes do primeiro turno.

O primeiro turno acontece em 4 de outubro, portanto o calendário está apertado.

As sessões ordinárias de julgamento do TSE normalmente acontecem às terças-feiras, às 19 horas, e quintas-feiras, às 10 horas. O Tribunal também pode realizar sessões extraordinárias.

RESUMINDO

Hoje a situação é esta: Deltan Dallagnol não está definitivamente fora da eleição. Seu registro foi mantido pelo TRE-PR, seu nome continua na disputa, mas ele está impedido de fazer campanha enquanto aguarda a decisão final do TSE.

E, neste momento, ainda não há uma data oficialmente marcada para esse julgamento.

Com a eleição chegando, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral passa a ser decisiva não apenas para Dallagnol, mas também para a própria definição das vagas do Paraná no Senado.