Empresários são condenados por golpe cruel que desviou R$ 2,5 milhões de remédio para criança com câncer no PR

Empresários são condenados por golpe cruel que desviou R$ 2,5 milhões de remédio para criança com câncer no PR

Ganância, frieza e falta de humanidade: dinheiro da esperança virou lucro enquanto criança sofria com dores extremas.

A Justiça bateu o martelo e condenou dois empresários por um dos crimes mais repugnantes e revoltantes registrados no Paraná nos últimos anos: o desvio de recursos destinados ao tratamento de câncer de uma criança. O caso aconteceu em Cascavel, no oeste do Estado, e teve como vítima a menina Yasmin, de apenas 12 anos, diagnosticada com neuroblastoma, um câncer agressivo.

Foram condenados por estelionato os empresários Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux, responsáveis pela suposta compra de um medicamento importado avaliado em R$ 2,5 milhões. As penas somam 4 anos, 9 meses e 5 dias de prisão, em regime inicialmente fechado. Ambos estão presos desde agosto do ano passado. Um terceiro denunciado acabou absolvido.

Segundo a sentença, os criminosos se aproveitaram da dor, do desespero e da urgência envolvendo o tratamento da criança para aplicar o golpe. A Justiça havia determinado, em 2024, que o Governo do Paraná custeasse o medicamento Danyelza, necessário para o tratamento de Yasmin. O valor foi liberado, mas a empresa contratada simplesmente não entregou o remédio.

A decisão judicial é dura ao apontar que os réus usaram a reputação de suas empresas como fachada, enganaram as partes envolvidas e se valeram da estrutura pública para obter vantagem ilícita, enquanto uma criança lutava pela própria vida.

A juíza destacou que as consequências do crime foram gravíssimas e desumanas. Em razão do atraso no tratamento, Yasmin passou a necessitar de doses de morfina a cada uma hora para suportar as dores intensas enquanto aguardava um medicamento que nunca chegou.

O caso escancara a frieza e a crueldade dos condenados, que colocaram o lucro acima da vida de uma criança, agravando o sofrimento da vítima e de toda a família. A condenação serve como resposta da Justiça, mas não apaga o dano causado por um crime que chocou o Paraná e o país.